Vestibulandus Crisis

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Dia desses,passando pela sala,esbarro com minha mãe vendo um programa da tv cultura aonde um grupo de alunos entrevistava o Marcelo Tas.Eis que lá pelas tantas,alguém pergunta pra ele como ele escolheu a profissão dele e como foi o vestibular.Não me lembro exatamente do que ele respondeu(e estou com preguiça de pesquisar no youtube)mas recordo dele falando que o ano do vestibular foi o ano mais difícil da vida dele.Nesse momento,minha mãe apenas se vira pra mim,com aquele sorriso triunfante e aquela cara de “não é isso o que eu falo pra você o tempo todo?”.  
Porque é verdade,é um ano bem pauleira e só estamos no início dele.Seus melhores amigos se tornam as apostilas e livros e até mesmo na hora de dormir,quando o sono não vem,o que te atormenta as ideias é a explicação de análise combinatória e probabilidade do dia,cuja qual você não entendeu picas e dá brecha a aqueles pensamentos “pqp,isso não entra na minha cabeça,não vou passar nessa porra de vestibular nunca”.Todo o tempo que não é gasto se locomovendo da casa para o cursinho é passado sentado numa cadeira,e não há quem não engorde ou fique meio pálido,uma vez que o sol se tornou apenas uma figura desbotada vista pelo vidro sujo da janela de uma sala de aula.             

                                                                                             
 As coisas só pioram quando se é um ser de tanta sorte quanto eu,e além de escolher medicina porque tem vocação pra corna e viver o dia todo com a cobrança tácita do cursinho competindo com a minha própria cobrança,ainda existe minha mãe.E quando se trata de cobrar alguma coisa,não há quem seja mais insistente que a minha mãe.Ela passa o dia todo falando que eu não estudo o suficiente,que eu não devo ter vocação pra coisa e “você lê tanto,porque não faz letras?”( WTH? ).Apoio,por aonde anda você mesmo?

Aí entra aquela grande questão do “Patricia,então porque diabos você escolheu medicina?”(com tanta buzinação no meu ouvido estou até começando a duvidar da mesma).Bem,começando pelo começo,eu tinha basicamente duas opções de carreira que me interessavam:ser pilota da aeronáutica(porque deve ser muito maneiro e é um emprego pra vida toda)ou ser médica.Eu desisti da primeira pela minha falta de talento com números e por minha resistência a seguir uma disciplina tão rígida quanto a militar.Então o que fazer com alguém que só gosta realmente de biologia e inglês,química nunca foi ensinado decentemente,acha um saco todas as outras humanas e tem problemas com algumas partes de matemática e física?Medicina,é lógico.

Então continuo seguindo a minha decisão de fazer o que eu acho que tenho que fazer  e ignorar o teste vocacional sem nexo que me mandou fazer engenharia.Só espero que minha teimosia não seja minha ruína.

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Assim eu desejo.

Esse não é um post sobre Whitney Houston

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Lá estava eu,lendo algum livro cujo nome eu não me lembro,quando um dos personagens morre e o narrador passa umas duas páginas falando sobre todos os “grandes feitos” e todas as qualidades do morto.Normal,se não fosse o fato de que o tal morto fosse um dos vilões do livro e tivesse passado todo o enredo tentando acabar com a vida de alguém.What?É aí  que você comeca a lembrar de todas aquelas celebridades que morreram e foram quase santificadas no pós-morte, afinal, ninguém mais lembrava ou falava de todas as merdas que elas fizeram.

Como funciona e qual o sentido disso?Certo que “quando morremos somos todos iguais”,mas não somos todos iguais em vida também?Temos todos a mesma estrutura básica e os direitos humanos são os mesmos pra qualquer um.A morte de alguém não apaga os danos que a pessoa fez em vida.Se é uma questão de respeito pelo morto,do gênerob de já que não está mais aqui e não pode se defender,não vamos acusá-lo,porque simplesmente não adotar uma atitude mais justa e não julgar os atos do morto?

Ainda sobre o respeito a memória dos que já se foram,acredito fervorosamente que cada um tem aquilo que merece(ás vezes de jeitos além da compreensão geral,é verdade).É,bem aquele papo de fazer por merecer e blábláblá.Acredito também que isso vale pra tudo,inclusive para o talvez respeito de uma memória póstuma.Sim,não vejo razão em fingir luto por alguém mesquinho,egoísta,negligente ao próximo e que fez questão de passar cada segundo de sua vida se dedicando em ressaltar o quanto queria tornar sua existência o mais insignificante para a humanidade que fosse possível.E não me importa se esse alguém morreu dormindo ou após ter os membros arrancados e queimado ainda consciente(não quero nem pensar nessa morte).Uma morte dolorosa não atenua anos de uma vida cretina.

E pra que esse papo melancólico  e expor minha opinião convencida logo no primeiro post?Pra não deixar ninguém esperando apenas posts neutros e superficiais que depois da segunda página de mais do mesmo te fazem fechar a janela por ler algo tão sem sal(eu sei que você pensa isso no fundo,eu também faço).Não estou dizendo que não vou fazer posts sobre unhas ou tv,mas sim que não tenho medo de expor minhas opiniões revoltadas com a vida ou de falar sobre um assunto que ninguém comenta porque “não fica bem”(aliás,essa citação aí ou derivadas eu finjo que não ouvi pois me tiram seriamente de mim).

Hehehe,eu não ia resistir a uma imagem engraçadinha.E a Whitney,que morreu a pouco tempo,não foi a inspiração do manifesto aí de cima pois,admito,eu não tenho noção do que os meios de comunicação estão falando da vida dela e não  sei picas da biografia da mesma pra poder julgar.